Início da escrita terapêutica - Sobre a Moranga

Associar causas e consequências é sempre algo muito duro e difícil de ser feito, muito embora necessário.

Nos últimos meses, conviver com o peso de ter decepcionado a mulher que eu mais amei, e ainda amo, na vida tem sido uma das coisas mais sofridas e tristes. Não poder ser transparente com medo de machucá-la e ser incapaz de me entregar 100% pela dor que eu fui e sou capaz de causar me consome frequentemente.

Olhando para trás e sendo extremamente pragmático, eu acho que fui não somente infiel, mas covarde de não ter sido sincero. E por sinceridade não digo apenas em falar sobre o erro, mas muito antes disso. Eu deveria ter sido sincero comigo mesmo em dizer que aquela relação não nos fazia mais bem, que eu deveria buscar outras possibilidades (seja com ela ou sem ela). 

Como resultado dessa covardia não só tive e ainda tenho que carregar a decepção de ser uma pessoa ruim como também perder a mulher que mudou a minha vida.

Antes dela eu não pensava em casar, ter uma família, viver de forma simples e singela. Ela me fez olhar sobre outros prismas, entender o que de fato poderia me fazer feliz e me redescobrir enquanto homem e enquanto pessoa. Essa jornada de transformação que ela me guiou talvez seja o fator mais decisivo por, apesar de tudo que houve, eu ainda acreditar, bem lá no fundo, que a gente ainda pode ser felizes juntos.

Saber que ela não me ama mais, que ela não acredita mais no nosso futuro e que a gente nunca mais vai ser ver me faz querer voltar no passado e consertar as coisas. Ser mais paciente, ouvir mais, me preocupar mais e cuidar mais. O meu desejo mais fundo nesse momento era estar com ela aqui abraçada comigo, com os dois cheio de lágrimas nos olhos e tentando entender como a gente pode fazer tudo isso funcionar JUNTOS.

Não poder resolver tudo de forma simples e pragmática me tira muito da minha zona de conforto. Levar o outro em consideração e muitas vezes aguardar de forma passiva não é parte do que eu me acostumei a fazer, mas é sem dúvidas algo que eu preciso aprender. Eu só queria ter uma chance para tentar viver junto com a Moranga. Realizar o nosso sonho de casarmos, termos uma casa bonita para chamar de nossa e uma criança para ocupar ela e as nossas vidas.

É louco pensar como uma pessoa que sempre quis coisas muito grandes da vida, tem como o maior anseio neste momento viver uma das coisas mais simples da vida que é o amor de uma família feliz. E talvez o que mais torne esse anseio complexo não seja ter o amor de uma família feliz, mas a necessidade de que essa família seja o amor da minha família com ela feliz.

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